José Mourinho não deixou margem para dúvidas na antevisão ao encontro frente ao Santa Clara. Na manhã desta quinta-feira, 12 de fevereiro, o treinador do Benfica foi claro, direto e fiel ao seu estilo: as águias precisam mais de pontos do que o adversário. Num discurso marcado pela ambição, pela exigência interna e também por algumas críticas às condições do futebol português, o técnico encarnado lançou um jogo que considera decisivo para manter viva a luta pelo título.
O encontro será disputado no Estádio de São Miguel, nos Açores, um palco que Mourinho antecipa como complicado, não apenas pelo adversário, mas também pelas condições do relvado e pelo contexto competitivo. Ainda assim, o treinador garante que a equipa preparou a semana a pensar nessas dificuldades e que o objetivo é claro: regressar a Lisboa com os três pontos.
“O campo é seguramente um problema”, começou por referir, sem rodeios, antes de alargar a crítica a outros estádios da Liga. Para Mourinho, há infraestruturas que não acompanham a ambição de um campeonato que quer afirmar-se como sendo de alto nível, sobretudo quando fatores climatéricos agravam ainda mais as condições de jogo.
Apesar disso, o foco esteve sempre no essencial: o campeonato e a corrida pelos lugares cimeiros.
Benfica olha para cima e sente a pressão da luta pelo título
Mourinho foi especialmente incisivo ao falar da classificação e da forma como a equipa encara o momento atual da época. Para o treinador do Benfica, não há qualquer espaço para relaxamento ou leituras confortáveis da tabela. A mensagem é simples: olhar para baixo não interessa.
“Se olhássemos para baixo, a distância que nos separa do quarto classificado é significativa, mas nós olhamos para cima”, afirmou, sublinhando que é precisamente essa ambição que aumenta a pressão sobre a equipa. E foi ainda mais longe: “Olhando para cima, somos nós que desesperadamente precisamos de pontos”.
Esta leitura revela bem a mentalidade que Mourinho quer incutir no grupo. O Benfica não joga apenas para gerir vantagem ou garantir mínimos olímpicos. Joga para encurtar distâncias, pressionar quem está à frente e manter-se vivo na corrida pelo título até ao fim.
O técnico reconheceu a qualidade do Santa Clara, afastando qualquer ideia de facilitação. Apesar da posição delicada na tabela, Mourinho acredita que a equipa açoriana não tem plantel para lutar pela manutenção e acabará por sair dessa zona. Ainda assim, isso não diminui a exigência do desafio.
“Eles precisam de pontos, mas nós precisamos mais do que eles”, repetiu, numa frase que resume toda a antevisão.
O treinador destacou ainda o espírito competitivo da equipa e rejeitou a ideia de que a aproximação aos primeiros lugares possa ser um fator extra de motivação. Para Mourinho, isso não faz parte da cultura do Benfica.
Exigência, cultura de trabalho e um calendário intenso pela frente
Um dos pontos mais fortes da conferência foi a forma como Mourinho falou da ética de trabalho e da identidade do clube. O treinador fez questão de sublinhar que há valores que não são negociáveis, independentemente do momento da época ou da posição na classificação.
“Baixar os níveis de motivação, concentração e trabalho porque o momento não é bom não é aceitável”, afirmou, alinhando essa postura com aquilo que considera ser a cultura histórica do Benfica.
Desde a sua chegada, garante não ter tido problemas com a atitude do grupo. Pelo contrário, destacou o compromisso diário da equipa, algo que considera fundamental numa fase da época particularmente exigente. E essa exigência não se resume apenas ao campeonato.
Mourinho lembrou que o Benfica entra agora num período intenso, com dois jogos decisivos para a Liga, frente ao Santa Clara e ao AVS, intercalados com dois confrontos de enorme visibilidade frente ao Real Madrid, a contar para a Champions League.
“São uma alegria de jogar”, disse sobre os duelos europeus, mostrando que, apesar do foco total no campeonato, a equipa está também mentalmente preparada para enfrentar um dos maiores desafios do futebol europeu.
Este contexto torna ainda mais relevante a gestão do plantel, tema que Mourinho abordou com detalhe quando falou do boletim clínico.
Regressos importantes e gestão do plantel em foco
No capítulo das ausências e regressos, Mourinho deixou boas notícias para os adeptos encarnados. O treinador confirmou que Lukebakio está apto para ir a jogo, depois de ultrapassar a fase mais delicada da recuperação.
“O Lukebakio vai para jogo, já treina sem nenhuma limitação”, garantiu, mostrando confiança total no avançado. Um regresso importante numa fase em que cada solução ofensiva pode fazer a diferença.
Já Bah e Ríos seguem um plano diferente. Ambos iniciaram um período de integração progressiva que deverá prolongar-se por mais uma ou duas semanas. Apesar de ainda não estarem disponíveis para competir ao mais alto nível, Mourinho mostrou-se satisfeito por já trabalharem com a equipa.
Banjaqui e José Neto estão totalmente integrados, sem qualquer problema físico, enquanto Dedic apresenta melhorias, embora ainda esteja sob avaliação. O treinador explicou que a decisão final sobre a utilização dos jogadores será tomada após o treino, tendo em conta não apenas o jogo nos Açores, mas também o compromisso seguinte frente ao Felgueiras.
Mourinho fez ainda questão de referir a importância da equipa B neste processo, deixando claro que a gestão do plantel não é feita de forma isolada, mas sim integrada numa visão global do clube.
A viagem aos Açores foi descrita com ironia e ambição: “Viajamos para os maravilhosos Açores com o objetivo de lutar muito, trabalhar muito, para podermos voltar com os pontos de que precisamos”. Uma frase que mistura respeito pelo local, realismo competitivo e a habitual confiança do técnico.

0 Comments