Inácio aponta fragilidades dos dois lados e avisa: clássico pode ser decidido por erros e pelos nervos do FC Porto

 


O clássico entre FC Porto e Sporting promete ser tudo menos previsível, e Augusto Inácio não teve receio de expor as fragilidades de ambos. Para o antigo jogador e treinador dos dois clubes, o duelo da 21.ª jornada pode transformar-se num verdadeiro jogo de erros onde quem falhar menos pode sair por cima.

Inácio alerta que o FC Porto corre riscos sempre que perde a bola em zonas adiantadas, abrindo espaço para a velocidade do ataque leonino. Já o Sporting, segundo a análise, revela dificuldades quando é pressionado no seu próprio meio-campo, cometendo erros perigosos perto da área. Um cenário que, para o ex-internacional português, pode tornar o jogo caótico e decisivo nos detalhes.

Com os dragões líderes, somando 55 pontos, e os leões logo atrás com 51, o contexto do jogo mudou drasticamente após a inesperada derrota portista frente ao Casa Pia. Um resultado que, na opinião de Inácio, quebrou uma confiança quase absoluta construída ao longo da época e devolveu ao Sporting a sensação de oportunidade real.

“O FC Porto vinha de 18 vitórias e um empate em 19 jogos”, recorda Inácio, sublinhando que a vantagem confortável desapareceu rapidamente. Agora, o Sporting entra em campo consciente de que pode relançar completamente o campeonato, algo que pode pesar na abordagem de Rui Borges.

Apesar de reconhecer melhorias em relação à época passada, Inácio não poupou críticas ao futebol dos portistas, apontando uma clara falta de criatividade. Segundo o antigo treinador, o FC Porto deixou de ganhar com qualidade e passou a vencer sobretudo na base da raça, da entrega e da força coletiva — algo que não foi suficiente contra uma equipa organizada como o Casa Pia.

No ataque, as limitações foram expostas sem rodeios. Para Inácio, Pepê é praticamente o único jogador com capacidade técnica consistente, enquanto Borja Sainz e Samu oferecem mais intensidade e força do que criatividade. Rodrigo Mora e Gabri Veiga surgem como exceções, mas insuficientes para resolver todos os problemas ofensivos.

Do outro lado, o Sporting surge como a equipa mais dotada tecnicamente, mas nem por isso imune a críticas. Inácio considera que os leões têm qualidade individual em abundância — Trincão, Geny Catamo, Pote e Suárez — mas falham na recuperação da bola e na consistência ao longo dos 90 minutos. Um paradoxo que ajuda a explicar porque continuam atrás na classificação.

Quanto às contas do título, o aviso é claro. Um empate ou uma vitória do FC Porto deixa os dragões confortáveis e no controlo do campeonato. Já um triunfo do Sporting pode provocar um verdadeiro abalo emocional no Dragão, reacendendo fantasmas recentes do futebol europeu.

Inácio lembra o caso do Ajax de Farioli, que perdeu um campeonato após desperdiçar uma vantagem significativa, e garante que esse exemplo já começa a ser sussurrado nos bastidores. Se o Sporting ganhar, diz, podem surgir os “tremeliques” — e com eles, a dúvida.

💬 DEBATE

Este clássico vai ser decidido pela qualidade individual do Sporting ou pela força coletiva do FC Porto… ou pelos erros e nervos de quem sente mais a pressão?

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